2009/07/21

Censura na praça de São Carlos por 24horas e um "fim feliz"?

1. Uma notícia:

http://jornal.publico.clix.pt/magoo/noticias.asp?a=2009&m=07&d=20&uid=&id=314385&sid=59702

"PUBLICO.PT

PÚBLICO: Edição Impressa Versão para cegos
21 de Julho de 2009 - 12h43

São Carlos cancelou espectáculo por ser "inadequado" mas recuou 20 horas depois
Lucinda Canelas e Natália Faria

Decisão de cancelar a peça Amor já tinha motivado acusações de censura e a convocação de um protesto

A A peça Amor, um espectáculo encenado por Marcos Barbosa a partir de um texto do escritor brasileiro André Sant'Anna, que deveria ter sido apresentado ontem, às 22h00, no Largo de S. Carlos, em Lisboa, esteve cancelado durante 20 horas.
O espectáculo foi considerado "inadequado" para uma apresentação no Festival ao Largo, ao ar livre. Mas, depois de muitos e-mails trocados pelo potencial público e até da convocação de uma demonstração de desagrado pela atitude de "censura" imputada ao Opart, o presidente desta entidade que gere o São Carlos, Pedro Moreira, voltou atrás e decidiu que Amor será hoje levado à cena.
O espectáculo estava programado há mês e meio por Diogo Infante, que foi convidado a fazer três escolhas para o festival. Há 1h00 da manhã de ontem, o director do Teatro Nacional D. Maria II recebeu um telefonema em que Pedro Moreira lhe comunicou que o Opart decidira cancelar a apresentação de Amor. "Informou-me simplesmente que o espectáculo era desadequado ao perfil do festival e que, por isso, ia ser cancelado", disse ontem Diogo Infante ao PÚBLICO.
Cerca de 20 horas mais tarde, Infante recebeu novo telefonema em que foi informado de que, afinal, a peça não fora cancelada, mas adiada para hoje, protelando-se assim por mais um dia o encerramento do festival, que já levou mais de 25 mil pessoas ao largo do teatro nacional.
Para colmatar o buraco de ontem na programação, a organização do festival antecipou para as 22h00 o concerto do Quarteto Vianna da Motta que, nos termos da programação original, deveria ter encerrado ontem o festival, às 24h00.
Pedro Moreira não esteve disponível para falar com o PÚBLICO. Mas fonte do Teatro Nacional de São Carlos atribuiu o sucedido a "problemas internos da produção". "Em 18 espectáculos, foi o único cancelado", sublinhou a mesma fonte, recusando adiantar mais pormenores.
Diogo Infante, que se mostrara "surpreendido" com o cancelamento, está agora "feliz" por saber que "há pessoas que têm a capacidade de reconsiderar", corrigindo um erro.
Para Infante, o monólogo de André Sant'Anna (um original de 1998), interpretado por Flávia Gusmão, é um texto "exigente", "provocador" e tem "momentos agressivos". Mas "é muito contemporâneo e desafia com inteligência os estereótipos relacionados com a masculinidade e a feminilidade". Proibir a sua apresentação, diz, era "emitir juízos morais em relação às capacidades do público que tem assistido ao festival".
André Sant'Anna é considerado um dos mais promissores novos escritores brasileiros. Em Abril, o jornal A Folha de S. Paulo referia-se ao autor como "a melhor coisa que poderia ter acontecido à literatura brasileira nos últimos anos". Em Amor, de que o autor leu extractos quando, no ano passado, participou no encontro Correntes d'Escritas, na Póvoa de Varzim, sobressaem expressões como "o sol secando o fedor do povo" e "o pau do ayatollah do Irão".
O espectáculo foi programado por Diogo Infante, "feliz" por saber que "há pessoas que têm a capacidade de reconsiderar"


2.
O espectáculo "Amor" ficou cancelado 20horas e ficou reposto por "reconsideração" "feliz" do director do festival que "telefonou duas vezes" ao director do Teatro Nacional D Maria II - primeiro para informar lhe do cancelamento e depois para o informar da sua reposição em cena 24h mais tarde...
Fica uma barulhente confusão de hipóteses no clarificados pelas entidades públicas involvidas acerca das acontecimentos que levaram a esse "cancelamento" e a reposição
-problemas de produção(técnicas)
- problemas do entendimento do director do festival com o elenco da peça
-problemas do director do festival não ter lido o texto e basicamente não ter a minima ideia que estava promover até mesmo ver um ensaio técnico(!) um dia antes da peça acontecer
- problemas dos juizos morais e por consequência a resposta do director do festival que achou o texto e a peça "inadequado" para o público visado de verão
- depois do facto assumido do "cancelamento" de "Amor" há os problemas da acusação de uma massa crítica, seja pequena mas ainda assim existente em Portugal, de "censura", algumas pressões diplomáticas e de repente:
- já não há problema de por a peça na praça pública de S. Carlos para o director e supostamente telefona a segunda vez ao director do TN DMaria II à explicar, que cometeu um erro , já não há os mesmos juizos morais acerca desse texto??



Facto é que a peça ficou censurado 24horas por juizes morais(ou outras?), e por pressões de cidadania e de diplomacia (não cai bem Portugal ser visto como país aonde há censura, depois do 25 de Abril) e outras(?) foi reposto um dia depois.Como se nada em especial tinha acontecido.

Quais as razões que levaram Pedro Moreira "felizmente" reconsiderar" o "cancelamento" à boca da cena? Uma é que uma massa crítico de actores, intervenientes do espectáculo, um diplomata português e uma funcionária no parlamento Europeu entre outros protestaram públicamente contra esse acto de censura(que demorou 24horas), baseado num juízo moral acerca do texto "Amor" de André Sant'Anna.
Portugal precisa mais dessa massa crítica e civica, que não deixa cala se e limitar a sua livre expressão artistica como outras liberdades de expressão(veja a ideia de Jardim tentar prohibir a CDU), e precisa de viver com o facto (novo?)que responsáveis (directores de entidades públicas) tem que tirar as suas deviadas consequencias de actos de irresponsábilidade perante o público potentialmente interessado e perante dos dinheiros públicos envolvidos (cancelamento à boca da cena), tirar consequencias da incompetência em lugares de destaque( o director não sabendo o que esta em palco) e da passividade de um director de um teatro nacional que "foi informado" duas vezes. E depois do cancelamento fez o que, Diogo Infante? Esperar que tudo corre bem na mesma ou esperar pela segunda chamada? Não me parece. Diogo Infante têm que explicar melhor o que succedeu e não focar num "fim feliz" da situação ( a reposição da peça 24h depois).
Alexander Gerner

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2009/07/19

Querem nos afastar do "mal" do mundo? Criancinhas "sem sangue" nós querem, rebeldes nos terão! Sobre o cancelamento do espectáculo "Amor"


Amanha dia 20 de Julho as 22h a peça "Amor" vai estar em cena na praça pública do S. Carlos fora do festival por iniciativa própria do elenco...
o espaço é público e ninguém têm o direito de limitar o direito da expressão artística ...

Querem nos afastar do "mal" do mundo? Criancinhas "sem sangue" nós querem, rebeldes nos terão!

"A entidade pública promotora do festival ao ar livre no Teatro São Carlos, OPART, cancelou o espectáculo “Amor”, previsto para as 22 horas deste domingo 19 de Julho de 2009. Vinte e Quatro horas antes aquela entidade pública comunicou ao produtor que a peça, um monologo de 50 minutos seguindo um conto do escritor brasileiro André Sant`Anna, “ não se adequaria ao conteúdo previsto para o ciclo de promoção ao ar livre”.
Estranha-se antes de mais que uma decisão de programação, envolvendo desde o momento da sua adopção custos públicos, estabelecendo legítimas expectativas entre o público potencialmente interessado e comprometendo antecipadamente os profissionais envolvidos na preparação do espectáculo, seja adoptada em termos práticos à boca de cena.
Esta tarde o site de São Carlos ainda anuncia o espectáculo para as 22 horas.
O texto original de André Sant` Anna está publicado em Portugal há oito anos, permanecendo acessível em qualquer livraria de referencia. Inquieta-nos que a entidade pública promotora do festival ao ar livre esteja desatenta ou ignorante quanto aos conteúdos das obras artísticas que inscreve na sua programação, dado que é evidente que toda a decisão de escolha envolve a ponderação de riscos, que merecem ser devidamente considerados. Tal ponderação aplica-se mesmo a obras de maior dimensão universal como a Carmina Burana, companheira de programação do monologo “Amor”.
Inquieta-nos ainda mais que esta retirada de cena de “Amor”, seja determinada por razões de texto, por “todas aquelas palavras derramadas sobre o sangue das criancinhas esguichando sangue”, e o director de programação comprometido com um publico esguichando sangue, e a teoria de relatividade de tudo isto explicada pelo director de programação, ao público, que ouviu a Carmina Burana, a Menina Júlia e as Produções Fícticias e agora não assistirá ao monologo “Amor”, apenas por uma palavra, das mais obscenas quando praticadas sobre um acto artístico, que é censura. E não por todas as palavras, portuguesas do Brasil e de Portugal, que estão no monologo e nos falam de todas aquelas imagens, que estão no texto e na vida real de todas as pessoas, incluindo o director de programação.
Censura reagindo a palavras ali colocadas, que não nomeamos porque todas as palavras merecem ser cultivadas num texto literário. A obscenidade da censura supera toda a crueza das palavras que se ouviriam no Monologo, porque nenhuma entidade pública responsável por programação cultural pode julgar a adequação de um texto por um juízo de adequação entendido como moral, que cala por hoje o Monologo ao ar livre no Largo de São Carlos para empobrecimento do público.
E imperativo esconjurar a sombra de Censura em todos aqueles que estão em lugares públicos de programação gerindo dinheiros públicos e dinheiros do mecenato que chegam ao Público por virtude de leis que visam o Enriquecimento cultural.
Uma última referencia. o texto de Sant`Anna , embora completamente original, é impulsionado por uma referência ao filosofo – antropólogo Ernest Becker, prematuramente falecido no já distante ano do 25 de Abril e inspirador de alguns diálogos no filme Annie Hall, em 1977."

Ana Toivola Câmara Leme (Funcionária do Parlamento Europeu)
Jorge Lobo Mesquita (Diplomata)


Sobre os leitores jovens do "Amor"
André Sant` Anna:
A.S. - Eu senti que desde Amor, os adolescentes são um tipo de leitor que eu conquisto com certa facilidade. Até porque eles não têm esse vício de um formato padronizado sobre o conceito do que é boa literatura. Possuem abertura para conhecer. Não estão questionando se estou inovando ou não, se o Machado de Assis é velho e eu sou novo. Eles têm essa abertura para ler coisas diferentes. Amor, por exemplo, é um livro difícil, mas o adolescente tem essa coisa de ler em voz alta. Eu acho tão legal isso. Em sala de aula mesmo, em faculdade, sempre fui muito bem recebido, o pessoal gostava. Já vi muita gente que, na primeira página do Amor, por exemplo, tinha uma certa rejeição, mas depois começava a ler em voz alta e ficava... Já ouvi relato de gente
que ficou raciocinando o que é o amor por vários dias. Juventude sempre é bom nesse sentido. Ainda se está aberto.



nesta fotografia: Flavia Gusmão

“Amor”: Este é um espectáculo onde uma mulher transforma um texto furiosamente masculino e “brasileiramente” português, numa fuga que faz desta literatura teatro, e do fazer dizer, para um encontro com as palavras que dizem o amor.
Sobre o texto da peça, Bernardo Carvalho, crítico literário, escreveu: «”Amor” pode ser lido como uma visão planetária, simultaneamente religiosa (no sentido de “religar” todas as coisas, nem que seja pelo sangue que está por trás de tudo) e anti-religiosa (contra toda a hipocrisia das igrejas, sejam elas quais forem, a começar pelos media).»

André Sant’Anna nasceu em 1964, em Belo Horizonte. Morou no Rio de Janeiro, tocou no grupo Tao e Qual de 1980 a 1990, vive actualmente em São Paulo e trabalha como redactor de publicidade. É autor de Amor (1998) e Sexo (2000). Foi incluído um conto seu (“O importado vermelho de Noé”) na edição Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, publicado pela editora Objectiva. É considerado pelo escritor brasileiro Bernardo Carvalho o mais promissor dos novos escritores brasileiros.

Texto André Sant’Anna

Encenação Marcos Barbosa

Assistência de encenação Leonor Zertuche
Interpretação Flávia Gusmão

Iluminação Pedro Carvalho

Produção Teatro Oficina

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2009/07/10

on little things, mistrust & war





on little things, mistrust & war

Another note on Berlin: Göran´s Döner Imbiss




the little turkish Döner place in Kreuzberg with Göran as its king, standing there full of shyness and a big smile, just at the end of the night he refuses costumers with the mask of a strong emperor, giving back orders:" No! No more french fries! No more pizza,tonight! No!" he doesn´t look into the people´s eyes, when he says “No”, like the way I didn´t look to the eyes of the actor who yesterday lied at me about a stupid little thing, I could not look into his face- “No!”, “No more salads! No!”.
Göran never eats and is always hungry, while selling `his´ fast food. “Now”, he says hastily like a secret, “Now I always eat Hamburger, at night before I clean up and shut down the shop. I eat hamburger for two weeks now, before it was salad, I ate salad for a month always the same, before it was Pizza- why should I change? Why I don´t change?- because I don´t like so many things that I sell here. It takes me away my doubts.”
He tells me, that when he leaves the Döner place and heads home, that he drinks three beers, before falling asleep. I think its a beautiful lie, to make me feel comfortable, because I talk with him drinking beer and it´s Ramadan now. Of course he is not drinking alcohol...
Suddenly a young guy puts me an old filthy paper in front of my eyes pushing me,
-“Did you read this?"
-" What?"
I ask hastily to kill the agressive conversation:
- "What?"
He insists:
- "Did you read about the Social Democratic Politician who wants to build a big big Mosque in the middle of Berlin, right in the center?"
I ask in return in order not to answer:
- "But what do you think?”
- "I think..." he makes a big pause-" I think- ",
he continues after his important cheap rhetoric pause:
“I think that´s crazy!!”
He´s in Ramadan too and I drink beer, and I defend nothing and he defends his way of living, calling people crazy,
- "That´s how it can be, just like that,"
he says, and I don´t understand a word, and then I say, I think there is nothing good coming from a top-down approach towards culture and religion, and then I try to explain him my theory:
- "You know this last conference on Islam, that the interior minister of the german government Schäuble put forward two days ago, that the main thing was all about "Toleranz---"
I cannot finish my thought. He hears this word and it falls before his head onto the floor, somewhere near the door, where he stands,
- “yeah yeah”,
the young guy replies,
- “I know the thing about ´Aufklärung´, ´Enlightenment´",
he says this word in disgust, as if he had to throw up something, like these birds that feed their children throwing up food, but here it was about giving something out, that made you sick, something that had no meaning and that he had been fed too long at school:
- “Enlightenment, I know”,
his voice gets more sad, then he speaks without any emotion:
- "Forget it, it will not happen."

His voice gets inaudible and I don´t quite understand his cold voice, but prefer not to ask more.
Then Göran interrupts:
-“I´m fed up with all the food”.
-“Why don´t you bring some kurdish things and sell other stuff that you like, why don´t you sell some stuff of your own ..." I ask to cheer him up.
- “It´s too complicated, no time, no too much stress, I´m working...-“
Göran replies without loosing his time.
Then people pass, ask him if he had had some free time lately,
- “oh yes last week I went out," Göran´s eyes start to become alive, "once, the first time in 6 months.” He smiles again.

*
Göran is always there at the same spot, when noone enters, he stands in between the kitchen area and the costumers place, on the limit, as if he would still think about, if it would be better to leave this place or go on working or maybe better to go away: run to a better place, but back to Iraque there is no way, even that his family is not in a bad situation up in the kurdish area,
- “they are in the north, and since the border is closed and controlled there are no bombs up north”
he´s putting his hands on his stomach, touching his hunger and his slim body with carress, then people pass by on the street and he smiles and waves with his hand with quick big gestures, or says "Salam", as the place is “halal”, but still I don´t get this: they sell me alcohol there.
Always that I enter there, there is someone looking at the newspaper, everyday I meet Iraqui people there, that intervene, they don´t let you alone, Göran explains to me:
- "I don´t like that, they see that you are with a friend that you talk about your own things, maybe you haven´t seen this friend for a long time and they, they always make trouble, they interrupt, they go between you and your friend and disturb, you see, I don´t like that."

But all are costumers, and even more than just costumers, so they all know Göran well, so he has to talk to all, so they come to see him, so they talk, so much smalltalk normally and then suddenly political things, but Göran prefers not to talk about politics, better let the people´s mind stray, let them mind their own business and hang around for a while in this fast food place in between Kreuzberg and Neukölln, Berlin...
the newspaper her that alwazs someone reads, the tabloid BILDZEITUNG or the BZ, has usually fat spots on the front page, it was read by all the people waiting for their Döner, one long day of waiting with the newspaper for 90 Döner, 70 pizzas, small ones big ones double cheesburgers and so on, chicken burgers, all touched that paper with the oily stuff they don´t get away with nappkins, and when there is an Iraqui there, he will talk to me, it´s them that have the urge to say something about Islam, about the terror, about the cultural gaps and the trouble their country is in now for a long time.
When I passed at Göran´s Imbiss with T. there was a guy packed with war trauma from the 1st Gulf war, and during the talk it just flashed inside my memory, that I did co-organize a peace-demonstration at that time in Munich for the innocent Iraqui civilians, tried to make the philsopher Habermas speak on the Marienplatz, but he cancelled me down on the phone, "No! I´m not a market place preacher!, he said back then. "No! No more french fries todaz, no more pizza, no more talking in public, no!" At the time 1991 noone talked about the 100000 civilians killed in the news, and I don´t tell anything about that, it feels so insignificant, inexistent, unreal in comparison to the crazyness of that guy in front of me, that rescued himself into a small little Berlin-crazyness, that noone can stand here, even here at Göran´s place, but at least he can be here in Berlin where noone wants to be too close to him. The wartrauma makes him talk to much, he just talkes about his new family, his little child about how much he works. "I cannot stand him anymore", says Göran, "he just talks about himself, always the same stories, about how his child will have the best of all lifes,how his children will make it here and will become a judge or whatever, all this power he wants for his son to judge people, to redeem the unjustice with a strong hand, he actually wanted to become one, but now it must be his son to become a judge and to have power to decide over other people´s life´s- I don´t like that", Göran repeats and turns to the next customer:
- “Was kriegen Sie, bitte?”
But the traumatized guy continues to speak:
- “I saved a man´s life yesterday, here in Berlin, a big black guy, who wanted to jump in front of a car, and all that, because he didn´t have the money to buy some food, so I gave him 10 Euros and said go buy some food”.

That´s the story the Iraqui guy tells, nothing is true about nothing, all is trust, war, and the difficulty to understand who is your friend, who he can trust and the rest is survival and then again: mistrust all over.
This guy just tells me, that he is a workaholic, work work work work to create the condition of a better future for his recently born baby, and then goes on, that his family in Iraque were all killed, except one brother, “but the big thing is”, he says “the big thing is, that I don´t know where are the dead ones, they are all somewhere, somewhere in the sand, and I don´t know where they were burried, if they where burried, where they went when they died, that hurts…”

Then he sees in my eyes that I have warstories in my family and he finally looks up into my eyes and confronts me:
- "But did you write them? Did you write them?
- “No”, I get embarrassed, “no, but I can, I mean I am able to write, I have the capacity. O.K?”
He pushes me. He´s not satisfied, so I give up and have to lie a promise:
- “ I will write them.”

2.
On that day the big news was that the woman that is the director of the Berlin Operahouse, had canceled the "Idomena" opera encenation of Neuenfels, a great director and filmmaker that did a lots of great Kleist films. She cancelled it, because she got political pressure of the cultural senator of Berlin, that the security of the people, of the operagoers, was not secured, and that the police of Berlin could not secure this opera, because bomb attacks were expected.
Wow! I started to like opera again.
But what a mess, Ossama Bin Laden will blow up the Berlin opera, and Berlin theatergoers are not safe??
This is one of the strangest things I ever heard in my life… In the opera piece, I think it is the main character, that proposes to live without religion, because he doesn´t wants to sacrifice his son... A story enough to be canceled today. At least good old Merkel was shoked by this panik attack, and this "falta de coragem e falta da liberdade das artes", but if you see in the eyes of the Iraquis when talking about this, they are afraid, like I don´t want my son to live in this crazy trauma and fear- Then suddenly a old blond toned whore comes in with all her long legs "a vista" and her slightly fucked up face and sad "Verwirrtheit" in her eyes, asking for a small Tunna pizza to take away. Then suddenly she goes to the icebox, and opens one of the glass windows with a real big bang, so that Göran and the other Iraquis that are present, put automatically their heads down. She moves on, says “Bye!” and Göran smiles and seighs: “I thought it was an explosion.”

3.
The actor passed yesterday at Göran´s place, he is strange to me - I think, he thinks I´m a spy , he must have things to hide, I´m such an open book in all my weary looks and this feeling of disequallity of life stories, and that we´ll all die and have difficulties to let go of what we fought for in our all different lifes. Small creatures of love, we are creatures of love, from the sleep of reason life is born, sing TalkingHeads, like all other creatures we don´t wana let go... just the memory of others stay, just a handfull of images a couple of books, some objects we found, just the words written in stone, just the stones on the tomb, and Vicente saying " you have to tell me where you go when you die, where it is, you have to tell me, so that I can visit you, if you are dead and I´m still alive, father”, only these gestures count, I swallow something down with my dry falafel for now, the actor enters with his more or less girlfriend, a nice Berlin girl, that said on this day "Fuck u all " to her boss, fed up of her precarious job and the slimy boss that threated her like shit, where she was working as a bartender. She fired herself today, onlz possible act of freedom in a precarious world. Göran asked her in bad german:
- "Bist du frei?" (Are you free?) instead of "Hast du frei", and she askes back
- "What?"
I try to translate to her:
- "He askes if you are on vacation, if you have a day off? Hast du, Hast du frei?"
and she says
- "I quit today", and we laugh,
- "So you are free!"
She talks and probably she talks way too much to me, the stranger, at least the actor, she is with gives me strange looks.
The actor, that is what he sazs he was back in Iraque, that will open a new music bar next week is getting nervous and starts to pack his things nervously to go, but she still has her pizza to eat, as she starts to talk about her relationship she has with her Iraqui boyfriend, the actor, and how the people in the house whisper in her back and tell her openly that they think that she is a whore, "but I´m well educated" she tries to defend herself. And then she throws a cigarette over from one of the high tables to mine, which falls and I have to pick it from the filthy floor,
- "In this shitwhole I worked, they talked so badly to me and to the customers, and then they told so many lies, I could not stand it anymore."
I said that it would fall back on the people that say so many stupid things, that one should not worry about bad tongues, but then I ask the actor where it was that the new music bar would open.
- "Bergmannstrasse" is his reply. He doesn´t look to me.
- "Which number?" I insist.
- " 55 " he says, then his girlfriend looks up surprised:
- "Bergmannstrasse?" She almost starts laughing with her pizza in her mouth: "55?"
I understand, he didn´t want to tell me, I´m an alien, a nosey observer, way too well dressed and still prefering to drink a beer in this place, I must have second thoughts, I must have something to hide, I must not be trusted,
- "I´m a sailor", Göran always says, "but you are looking for a place to stay without contract?", and when the girlfriend of the actor says, that she knows something cheap, Göran repeats raising his voice:
- "HE DOESN`T WANT TO HAVE A CONTRACT!!!" like I had an disease or something. He is on the way trough. People have to be carefull.
I trz again to explain myself
- I tell you that I don´t want to say to people, that I will stay longer, if I don´t know, but this seems a wrong thought, a wrong openness. People here don´t like this frank style, then the girlfriend says, when Göran tries to make her understand about “Hast du frei?”, “Bist du frei?”, she understands:
- “Hast du was frei?” which means: Do you have a free room? She must have understood this, because later on she says almost on the leave,
- “I could have offered you a room, but you know, I don´t know you.”
I look at her a bit worried about all this mess and confusion lost in sematics, this confusion between open thoughts and mistrust and the only possibility I have: to talk to the strangers I meet at this place, and say
- “Of course, I understand” and, of course, I don´t.
- “Because I´m a man and-“ I want to build up mz thought, but she interrupts,
- “No! it´s not that, it´s simply because I don´t know you.”
- “Yes, it´s true.” I still am confused.
- “The thing is”, she continues, that here is like Istanbul, no Germans, and the understanding is so fuckin difficult, noone understands my language, even him,”
again she talks too much, pointing to her boyfriend,
- “Look, he just understands when he wants, and in any official things he is just a stranger without german, but he knows perfectly well german.”

I again try to explain myself and the situation gets more strange, why I prefer X-Berg, Neukölln than Prenzlberg, because Prenzlauerberg I say is like Munich, rich, just the same kind of people, a virtual fucking golden ghetto, now all with little kids trying to be an alternative family, reinventing the little small world with soja and vegtables grown on their balconies... But she:
- “I don´t understand, because you know, they speak german, they are o.k. This here is a mess, this is full of shit, this is full of violence, I wonder why I was so lucky until now and nothing happend to me. Yesterday a young beautiful girl dissapeared, she will probably never come back. This is Berlin, it is a dirty place.”
And before she says this, 5 Min before I had told her that I find Berlin more real than when it was still in big works of Potzdamer Platz, -“now Berlin is better”
--“no, it´s so much worse”, she kills my argument,
- “no respect, people treat each other without the rules, without--- trust”

I don´t know, if it is just because of his girlfriend talking or because its complicated to install an open lie that he noticed before, that I had noticed, thinking "I don´t know them", they leave Göran´s Döner Imbiss quietly without a sound, I say "Tschüss" without voice, looking down on the little paper where I start to write about all this...



Alexander Gerner (text&photos)

Berlin, Wednesday, October 25, 2006

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2009/07/09

E aonde vamos a seguir? Berlim! - artigo de Alexander Gerner UP- magazin (TAP julho 2009, p.102-105)











E aonde vamos a seguir? Berlim!

O cronista clássico de Berlim e mestre da criminalística dos lugares de passagem, Walter Benjamin, constatou, em 1929 sobre a arte de “passear em Berlim”: “É preciso saber que os Berlinenses se transformam. Pouco a pouco o seu problemático orgulho de fundadores de uma capital, começa a dar lugar à noção de Berlim como pátria, terra própria”. Berlim não é Alemanha. É um mercado turco, é pensão numa fábrica de chocolate, uma “discoteca russa”, é o “Club dos Polacos Falhados”, é arte de viver a patafísica numa paderia portuguesa, é a Terra do Fogo. Berlim nunca vai tornar-se simplesmente na capital da Alemanha. Berlim roda eternamente numa plataforma de transeuntes dos momentos impossíveis. Era assim nos famosos anos pós-guerra em que a parte ocidental de Berlim se tornou uma ilha de náufragos individualistas, aonde se tanto experimentava viver na esquerdista Kommune 1 em finais dos anos 60, como sucumbir aos “Pecados da Perguiça” (Die Sünden der Faulheit) dos anos 80, como no livro de Ulrich Peltzer. Depois da queda do muro em 1989, depois da unificação da Alemanha, da construcção do memorial do Holocausto, do fim das obras da Potzdamer Platz, e 11 anos após o início da última grande reconstrução do Berlim, destruído pelas bombardeamentos da segunda guerra mundial, era a vez do Museu Moderno (Modernes Museum) na “ilha dos museus” (Museumsinsel): O Museu Moderno foi finalizado este ano pelo arquitecto inglês David Chiperfield com a frase: "Esta ruína tinha sido esquecida pela história”. Não nos deixamos enganar. Berlim hoje tornou-se um lugar aonde é habito de fechar ciclos históricos depressa, para seguir em frente. Já não há a sensação de uma cidade “moloch”, expressionista e ruidoso, descrito por Alfred Döblin, no seu romance acerca de uma das praças mais emblemáticas de Berlim, “Berlin Alexanderplatz” e aonde, quando chego, toca uma banda dos balcãs. Berlim vibra!

Mosaicos do passado

Nessa praça central em Berlin - Mitte, perto do Relógio do Mundo, marco vários encontros. O meu amigo romeno Alexandru -improvável e perdido no tempo como todos os amigos de Berlim- cá investiga a filosofia de Hegel na Universidade de Humboldt. Nesse dia mal consigo andar, depois de uma noite de fúrias latinas no Clube Havanna, pior lugar para celebrar o culto do coração partido, chego então com uma ressaca nas pernas. Mas Alexandru apazigua me que tudo se encontro muito perto aqui. Quer mostrar me uma peça do seu museu pessoal, um mosaico que decora a parede exterior do Café Moskau onde se pode ver uma imagem retro da bela vida que se vivia no Bloco de Leste. Da Alexanderplatz chegamos à Karl-Marx-Allee, onde começa a gritar: “Olha! É incrível! Repara, em nenhum sítio na Roménia jamais se encontraria este tipo de mosaico: A vida como imaginámos há 60 anos na antiga União Soviética”. Se Lisboa é a cidade mais europeia de África, Berlim é a cidade mais alemã da Rússia. Passamos pela livraria “Karl Marx”, que já não está aberta, e caminhamos em direcção ao bairro Friedrichshain. Ele fala muito do passado no Leste e eu duvido como de costume tudo o que ele recorda. Só para o chatear, corrijo- lhe o alemão – e a forma como ele usa “ o passado”- ,mas ele interrompe - me logo: “Alex, corrige meu alemão só uma vez por dia, senão não estamos aqui conversar, mas a ter uma aula.” Concordamos em falar inglês, apanhamos o metro para o Savignyplatz, sentamos no Café Kant para contemplar as empregadas e visitantes improváveis e bebemos uma cerveja atrás da outra em vez de ir vasculhar em livros em segunda mão nos alfarrabistas na Kantstrasse. Falamos acerca de uma amiga vizinha dele, uma física russa, que encontro três dias mais tarde para passear com ela ao longo do rio Spree com o destino de ver arte contemporânea no Hamburger Bahnhof. Antes de entrar nessa galeria na antiga estação de comboios, a poliglota e impaciente amiga já hesita em entrar, perguntando: “Aonde vamos a seguir?” Berlim!

O Pulso de Berlim


É hoje um lugar da batata quente. Um hímen dos tempos e pessoas dos quatro cantos do mundo, que querem lá finalizar as suas obras, históricas ou artísticas. Os bairros-aldeias, “Kietz” em berlinense, trocam de moda quase tão depressa como as mãos dos Lisboetas trocam a roupa nos estendais: depois de “Prenzlauer Berg” e “Mitte”, agora são os bairros de “Kreuzberg”, “Neukölln” e “Friedrichshain” que estão no topo da lista. Ainda nos anos 90 cantou-se: “Berlim, a cidade aonde todas as pessoas se mudam por causa da saudade”, mas hoje a cidade celebra a saudade nómada pelos encontros momentâneos e rápidos nos clubes.
Passo primeiro no lounge bar Mysliwka em Berlim Mitte, que abre ao fim da tarde: Mysliwka traduz-se do polaco em “bar de caça”, mas tudo aqui é atmosfera amigável. Pessoas descontraídas conversam e bebem cerveja, vodka e cocktails. Depois há “Russendisko” no clássico Tanzwirtschaft Kaffee Burger : Aos “pecados da preguiça” e da ociosidade em Berlim oeste, adicionou-se nesse lugar a velocidade da batida do som de leste, ouve-se música ao vivo desde Klezmer-ska à sons de instrumentos precários de Nova Iorque (como a harmónica do Sxip Shirey) e dança-se na festa “Russendisko” do DJ-autor russo-berlinense Wladimir Kaminer, duas vezes por mês. Aqui no Kaffee Burger, que nos anos 70 era poiso do dramaturgo Heiner Müller, há leituras publicas, como as de “Teil der Lösung” (Parte da Solução), o melhor romance actual sobre Berlim (publicado em 2007) da autoria de Ulrich Peltzer: "Você quer ser parte do problema ou parte da solução?" Fica a certeza de que a questão colocado neste “café de baile”, como em toda a Berlim, nunca se vai resolver.

Sair de Berlim? Para que?

Pus - me, no dia seguinte, à procura de saber, se Berlim já consta no livro de Guiness como cidade onde os nómadas urbanas do metro aguentam mais tempo os olhares dos outros, e aonde as pessoas procuram algo que nunca lá vão encontrar, mas vão se encontrando um ao outro.
Não! A Berlim de hoje ainda não esta escrito. Já ninguém fica a espera horas para ser servido pelos empregados dos estabelecimentos, mas todos “vivem” tardes e noites inteiras num sofá de um café (como no Wohnzimmer, o café –club no Prenzlauerberg) com laptops ou carrinhos de bebé à mão, ou na pista de um clube, perdendo num dia 40 estreias de peças de teatro, aberturas de galerias de arte ou fechos de ciclos históricos, sem um único momento de remorso. Em Berlim ainda pensa-se, que a precariedade é uma arte de viver em liberdade, mas já não tanto como nos anos 80. Aqueles que chegaram, jamais partirão. Como diz Wladimir Kaminer, autor do “anti-“guia da cidade “Não sou um Berliner”, que celebra o culto da passagem permanente: “Sair de Berlim? Nunca! E porque? Se todos os búlgaros, austríacos e passados de cabeça já cá vivem.”

Alexander Gerner Julho 2009


(públicado no "UP" Inflight Magazine da TAP, edição Julho 2009 (Olhares de Viagem), p.102-105
)


INFOS:

Berlim online

http://berlin.unlike.net/
http://www.spottedbylocals.com/berlin/

http://www.berliner-stadtplan.com/


AONDE FICAR?

Schokofabrik
Num andar numa antiga fábrica de chocolate, Angela de Ridder instalou um dos lugares de culto bed & breakfast mais originais para individualistas de Berlim. Quem gosta passar noites num quarto alto com wireless de graça, falar com os outros viciados de pousar ou esquecer uma mala em Berlim num pequeno almoço caseiro e comum, está certo aqui. Reserve com antecedência! http://www.berliner-zimmer.de/englisch/Default.htm
Info: schoko.fabrik@berliner-zimmer.de

Schinkestrasse 8-9 D-12047 Berlin

Cafés
- Cafe Bar Klub WOHNZIMMER
Lettestrasse 6, Berlin - Prenzlauer Berg
http://www.wohnzimmer-bar.de/
- Kant-Café Kantstraße 135 (Ecke Schlüterstraße) 10625 Berlin-Charlottenburg
++49-( 0)30 / 3 12 46 79


Comer
- Monsieur Vuong

Melhor cozinha vietnamesa para reanimar os sentidos do paladar depois de um dia no modo “flaneur” pelas ruas fora à perder a borracha do solo do sapato. Algo depois da escolha mínima obrigatória nesse lugar nós tire qualquer dúvida, -“Com ou sem carne?” Há 6 razões para lá passar: 1. Monsieur Vuong ele próprio(Mister Wong himself). 2. dois pratos saborosos do dia 3. preço razoável 4. chás de aroma das flores jasmim, gengibre fresco e lemongrass 5. atmosfera relaxante 6. Poder reservar um lugar de Hanoi e Saigon no meio de Berlim.
Monsieur Vuong Alte Schönhauser Str. 46 10119 Berlin-Mitte Phone: +49-30-9929 6924 http://www.monsieurvuong.de/

Noite

1. Mysliwka Bar/Lounge
Schlesischestraße 35, 10997 Berlin
+49306114860

2. Ankerklause


3. Tanzwirtschaft Kaffee Burger

Torstraße 60, 10119 Berlin
http://www.myspace.com/Tanzwirtschaft

4. CCCP Club Bar
http://www.myspace.com/cccpclub

5. Rodina Club
Holzmarktstr.6-9 10179 Berlin http://www.rodina-club.de/

6. Havanna

www.havanna-berlin.de

Hauptstraße 30
10827 Berlin
Sábado e 2000 pessoa a dançar Salsa, Merengue, Bachata, Soul, Funk, House, Dance-Classics. Pior clube para chorar de coração partido nos braços de fúriososo latinos.


7. Club der polnischen Versager
Ackerstr. 168, 10115 Berlin
http://www.polnischeversager.de/


Musica ao Vivo/Party


- Astra Kulturhaus (Friedrichshain) Revaler Straße 99, 10245 Berlin +49305332030
http://www.astra-berlin.de/
Astra é a nova central da música indie em Friedrichshain.


- White Trash
http://www.whitetrashfastfood.com/

Museus/ Arte

- Portal de todos os museus estatais de Berlim: http://www.smb.spk-berlin.de/smb/home/index.php
- Neues Museum
Bodestraße 1-3 10178 Berlin
-Hamburger Bahnhof – Arte contemporânea

Invalidenstraße 50-51
10557 Berlin Tel. +49(0)30 - 3978 3411 http://www.hamburgerbahnhof.de

Teatro
- Hebbel-am-Ufer (HAU)
http://www.hebbel-am-ufer.de

HAU 1: Stresemannstr. 29 / 10963 Berlin
HAU 2: Hallesches Ufer 32 / 10963 Berlin
HAU 3: Tempelhofer Ufer 10 / 10963 Berlin

O teatro internacional contemporâneo com três salas de espectáculo


Literatura sobre Berlim:
Wladimir Kaminer (2007). Ich bin kein Berliner. Ein Reiseführer für faule Touristen. Goldmann Verlag München.
Ulrich Peltzer (2007). Teil der Lösung. Ammann Verlag, Zürich.
Ulrich Peltzer (1987). Die Sünden der Faulheit. Ammann Verlag, Zürich.
Franz Hessel (1984{1929}) Ein Flaneur in Berlin. Neuausgabe von Spazieren in Berlin. Das Arsenal Verlag.
Walter Benjamin (1991). 'Die Wiederkehr des Flaneurs', in: Walter Benjamin, Gesammelte Schriften, ed. Rolf Tiedemann and Hermann Schweppenhauser, 7 vols, Suhrkamp Verlag, Frankurt, p.194-199.
Alfred Döblin (1996{1929}) Berlin Alexanderplatz ,Walter Verlag, Zürich.

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